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Ouvindo o quadro kanban

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Mostre-me seu quadro e te direi quem és!

Tenho trabalhado com algumas implementações Kanban para desenvolvimento de software e tenho percebido que um bom indicador para se averiguar a “saúde” de um projeto é a analise do quadro kanban do time.

O quadro espelha não somente o andamento dos itens na cadeia de valor, mas é possível “sentir”, até mesmo, o ânimo do time no projeto.

Em uma olhada rápida e superficial já é possível observar o zelo do time pelo quadro: se mantêm os cartões (ou post-its) organizados, alinhados e bem escritos; se está sujo com traços antigos de pincel, se as marcações e políticas explícitas estão realmente explícitas, enfim, se pelo menos a disposição visual dos elementos estão adequadas e bem mantidas.

Parece exagero, mas são detalhes que fazem (e expressam) a diferença. Ter as políticas explícitas, por exemplo, apagadas ou parcialmente visíveis, pode ser um indicador de que o time não dá a mínima para elas e algo pode estar errado no projeto. Ou ainda pode dizer que as políticas explícitas já não fazem mais sentido e nem precisariam estar no quadro. Este último exemplo mostra que o time está se questionando pouco e não aplicando melhoria contínua bem.

“Ouvir o quadro” é algo essencial. A partir do momento que você mapeia sua cadeia de valor e dispõe os itens de trabalho no quadro kanban, o quadro começa a sussurrar o que precisa ser feito. Mas é preciso estar atento para ouvi-lo.

Em dado momento o limite de trabalho em andamento está ultrapassado (limite do WIP); as colunas começam a ficar cheias sem a devida atenção; alguns princípios começam a ser ignorados para dar uma “falsa” sensação de progresso, como ignorar gargalos importantes; o quadro não é revisado e a cadeia de valor se mantem a mesma, mesmo não fazendo mais sentido… Em pouco tempo, se não tomar os cuidados devidos, você terá um quadro kanban caótico ou pior: será apenas um mero quadro de post its na parede.

Implementar Kanban, na minha humilde opinião, exige mais disciplina e cuidado que implementar outras práticas, como Scrum. Isso porque o Kanban é pouco prescritivo, ou seja, defini poucas regras, mas que devem ser estritamente cumpridas.

O kanban necessita, em muitos casos, complementos para se adequar ao time, ao contexto organizacional e a planejamentos e revisões importantes. Ou seja, é um framework mínimo que dita algumas leis importantes, mas requer complementos, liderança e disciplina. Uma das leis é a melhoria contínua e isso só acontece abrindo bem os ouvidos para ouvir o quadro que sussurra dicas importantes.

E você… já parou para ouvir seu quadro kanban?

2 comments

  1. Pingback: Comentários sobre a lei de software (9609/98) | Kudoos

  2. Carlos

    Nunca pensei no problema apresentado no artigo… É verdade, esse risco existe e é preciso que um dado time aprenda a usar o método Kanban adequadamente. Mas com ferramentas eletrônicas deve haver menos caos do que na imagem… Em minha empresa, a gente utiliza o Kanban Tool e felizmente nunca houve nenhum problema com essa disciplina. Talvez isso também dependa da ferramenta…

    Posted on junho 26, 2015

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