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Cumulative Flow Diagram: Como exibir o progresso visualmente

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Exibir informações de forma visual é importante para uma comunicação eficaz. Se puder ser em um formato fácil de entender e de gerar, melhor ainda. É nessa categoria que se encontra o CFD, o Cumulative Flow Diagram (Diagrama de fluxo cumulativo).

Por que medir e comunicar o progresso

Cumulative Flow DiagramTodos queremos saber como estamos indo. Se estivermos trabalhando com prazos, queremos saber se vamos atingí-los; se estamos trabalhando em um processo contínuo, queremos ter certeza de que tudo está indo bem.

Há diversas formas de medir e exibir os dados coletados, mas uma das formas mais comuns, principalmente entre os praticantes do Kanban, é a utilização do Cumulative Flow Diagram.

O que é o CFD?


O CFD é um gráfico que exibe o progresso de um processo em que há diversos estágios pelos quais um item deve passar até estar pronto.

Burndown ChartEquipes Scrum e FDD (Feature-Driven Development) utilizam um gráfico similar chamado “burn down” em que se exibem a quantidades de itens a serem completados na iteração (Sprint nos termos Scrum) e vai sendo “queimado” conforme são entregues. O que acontece com o burn down  é que uma grande quantidade de informações sobre o que está acontecendo com os itens não fica visível.

Com o CFD, por outro lado, são exibidos também o estado dos itens, mesmo antes de estarem prontos. Logo, há mais informação disponível num CFD.

Imagine um supermercado em que os clientes são seus “itens” de trabalho. Eles devem chegar à loja; escolher seus produtos; esperar na fila dos caixas; e pagar. O CFD vai exibir como esse fluxo está funcionando na linha do tempo, em todas as suas fases.

Como o CFD é montado?

** Atualização — 07/08/2015 **
Existe um problema na forma sugerida logo abaixo: Pode acontecer de um item ser eliminado no meio do caminho ou voltar estágios do fluxo por algum motivo. Com uma situação dessas, da forma como foi sugerido, o gráfico poderia acabar exibindo pontos em que uma linha desce, algo que nunca poderia ocorrer em um CFD. Por sinal, nunca confie em um CFD com alguma linha que desça.

Como fazer então?
Grave as datas de passagens de estágios em algum arquivo. Um Excel funciona muito bem. Caso o item volte um ou vários estágios, limpe os dados das estágios posteriores, como se o item nunca tivesse avançado.
Se estiver usando um Excel ou outra ferramenta, basta somar todos os itens que estavam no estágio em cada período, conseguindo a soma apontada nesse artigo de forma indireta.

Um outro exemplo seria o de que você, por ter uma letra bacana, decidiu abrir um negócio de escrever convites de casamento.

Vamos imaginar que os passos, neste seu empreendimento, sejam os seguintes:

  1. Pegar um convite padrão e escrever o texto nele
  2. Dobrar o convite
  3. Colocar o convite no envelope
  4. Etiquetar o envelope
  5. Colocar o selo no envelope

Imagine que você conseguiu ajuda dos seus 3 filhos e da sua esposa e que ficou combinado que você faz os passos 1 e 2; sua filha mais velha dobra o convite; seu filho do meio coloca cada convite no envelope; sua esposa etiqueta o envelope e por fim a caçulinha cola os selos.

Se a cada 10 minutos você tirasse uma fotografia do momento, e olhasse quantos itens estão em cada fase, você teria algo parecido com o que segue na tabela:

momento Escrever Dobrar Envelopar Etiquetar Colocar os selos Convites prontos
1 1 1 3 1 1 1
2 1 2 0 1 2 6
3 1 0 2 1 1 9
4 1 0 0 4 0 13
5 1 1 0 0 0 18

Como seria montado o gráfico:

Montando um CFD

 

A ideia de ser cumulativo é que sempre quando se fala que há 10 itens prontos, quer dizer que eles também já passaram em todos as fases anteriores, ou seja, já são convites escritos, dobrados, selados etc.

Veja a seguir um exemplo de um gráfico pronto, que mostra possíveis fases no desenvolvimento de software:

Cumulative Flow Diagram

** Atualização — 07/08/2015 **
Existe uma incorreção técnica quando aponto as distâncias horizontais entre dois estágios como sendo “O” Lead time. Na verdade, essa distância nos dá o Lead Time Médio Aproximado.
Outro ponto: a taxa de saída também é chamada de Vazão ou Throughput (em inglês)
O eixo vertical exibe o número de itens, o eixo horizontal, o tempo.

A própria imagem acima mostra como ler o gráfico, mas vamos explicar um pouco mais:

Traçando uma linha horizontal entre determinados estados é possível extrair o tempo médio aproximado que os itens levam para serem processados e entregues. O tempo entre assumirmos o compromisso com a entrega e a entrega de fato é chamado de “Lead Time“.

O “Cycle Time“, que você deve escutar por ai, é um termo ambíguo, pois tem sido utilizado tanto como Takt Time, quanto o tempo entre etapas específicas do processo. Prefiro simplesmente não utilizar esse termo 😉

Uma linha vertical mostra a quantidade exata de itens em trabalho na linha do tempo.

Outro ponto interessante a se notar é a relação entre as taxas de entrada e de saída. Em um fluxo contínuo, quanto mais paralelas estiverem melhor.

Já em um projeto, entretanto, deve haver uma indicação de convergência em algum ponto do tempo. Logo, é importante que a taxa de saída seja maior que a de entrada para que todos os itens, em algum momento do tempo, sejam completamente processados.

Vale ler também sobre, Lei de LittleTeoria de Filas, que são tópicos também para outros posts por aqui.

Kudoos!

 

1 comment

  1. Pingback: Entendendo a lei de Little | Kudoos

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