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Conheça a natureza daquilo que você se propõe a gerir

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Desde a revolução industrial, alicerçada pelos conceitos de Taylor e Ford, a produtividade não pára de crescer em todas as indústrias do mercado. Com ela consolida-se o mind set da especialização do trabalho, da linha de produção, das teorias motivacionais, dentre outras teorias eficazes para este, então, revolucionário novo modelo de trabalho. E é justificável este mind set, pois nunca na história da humanidade houve um ganho tão grande em produtividade como na revolução industrial.

Entretanto, caminhamos a passos largos à também revolucionária Era da informação, do trabalhador do conhecimento, da valorização da criatividade, da arte, do out of the box thinking, e ainda utilizamos muito do mesmo mind set nos atuais trabalhos. “Para um martelo, todo problema é um prego!” Os velhos modelos de apresentar a cenoura, comando e controle, benefícios, aumento de salário por si só, recompensas, hierarquia rígida, especialização do trabalho, dentre outras, inibem a criatividade e o desenvolvimento. (em: http://gecorp.blogspot.com/2007/05/o-trabalhador-do-conhecimento.html)

Logo, se vê necessário conhecer a natureza do novo trabalho que advém da era da informação.

Você já se imaginou gerenciando a construção de um livro? Ou a pintura de um quadro?
Há uma discussão no mundo de gestão de projetos, que discute se o gestor precisa ter conhecimento técnico daquilo que se propõe a gerenciar. É possível que alguém com formação em engenharia gerencie um projeto farmacêutico? Ou alguém da área de sistemas gerenciar a construção de uma ponte? ou ainda um gerente de projetos de publicidade, gerenciar um projeto de software?

O Guia PMBoK® diz que sim, ressaltando, entretanto, que quanto mais conhecimento técnico do gestor, melhor! Mas eu vou além, é ESSENCIAL que o gerente de projetos conheça pelo menos a natureza daquilo que se propõe a gerir. Um exemplo clássico e talvez o mais significativo é o modelo para desenvolvimento de software.

A engenharia de software, e boa parte da tradicional literatura desta disciplina, está carregada do mind set da era industrial, onde há determinismo, especialização do trabalho, e fases muito bem definidas. O modelo que representa claramente estes conceitos é o modelo de cascata de desenvolvimento.

Entretanto, a natureza do desenvolvimento de software é extremamente intelectual e bem pouco manual e repetitiva. Já prestou atenção em como você escreve um e-mail ou um post em um blog? ou mesmo um livro? Que procedimentos você adotaria para escrever um bom texto?

Provavelmente, você começaria explorando o assunto mentamente, tentando encontrar os tópicos a serem tratados, a ordenação e a forma. Em seguida, começaria a escrever as primeiras linhas. Após alguns parágrafos, você provavelmente faria algumas alterações em trechos já escritos, de modo a aprimorá-los. Ao final, você faria uma re-leitura, corrigiria algumas partes, retocaria alguns trechos, até o texto final estivesse adequado. (Extreme Programming, Vinícius Manhães Teles)

Por certo você também não escreveria linearmente módulo por módulo, de acordo com o índice que você definiu. Provalvemente você está mais preparado para escrever o módulo final a um módulo intermediário. Você aprende mais sobre seus próprios objetivos com o livro enquanto o escreve. Ganha insights para abordar… etc… etc… Neste contexto não há o erro em si, mas a possibilidade de entender mais e aprimorar continuamente.

Enfim, quais técnicas você adotaria para gerenciar este tipo de trabalho. Quais métricas? Quais motivadores para este profissional que depende de muita criatividade, inspiração e que precisa se sentir dono de sua obra? Imagine então uma equipe de profissionais que desenvolve alto intelectual em conjunto…

O fato é que você consegue, de uma forma ou de outra, gerenciar qualquer coisa com métodos mais antiquados. Mas para se ter sucesso efetivo, tanto no resultado final quanto na condução eficiênte do projeto (sem ter todos se jogando pela janela) é necessário um novo paradigma de gestão.

Veja o vídeo abaixo de Daniel Pink que defende um novo modo de motivação do trabalhador do conhecimento.

http://www.ted.com/talks/dan_pink_on_motivation?c=67552

“Só sei que nada sei”

About the author: Rafael Buzon

Sou desses que quer mudar o mundo e estou procurando e experimentando muito de várias teorias e práticas. Acesse meu site em http://rafaelbuzon.com

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