menu

Torre de Babel nos guetos organizacionais

Por

Todos conhecem a estória da Torre de BabelDepois de ver a pretensão do homem em construir uma torre que  chegasse ao céu, Deus confundiu suas línguas para que não se entendessem e, com isso, o projeto da torre também não avançou mais. Isso aconteceu por volta de 200 a.C. (wikipedia)

O que poucos sabem, entretanto, é que esta intervenção divina aconteceu também na construção de software, que até hoje nos faz buscar o entendimento mútuo para realizar coisas até menos pretensiosas que uma torre, como lançar um site.

Se  falar outras “línguas”, todavia, dificultou nosso entendimento e nosso progresso como um todo, por outro lado nos abriu os olhos para resgatar e refletir sobre aquilo que pretendemos construir juntos. É a oportunidade de analisarmos a natureza daquilo que queremos realizar. É a oportunidade de firmarmos práticas e valores e avaliar a forma como medimos nossas ações. Detalhe: JUNTOS!!

É nítido e real este fenômeno de construção conjunta. A Web 2.0, redes sociais, Wikipedia, etc… são provas que o mundo tende a ser mais colaborativo. Mas, indo na contra-mão das tendências comportamentais e muitas vezes se mantendo inertes e enraizados à modelos ultrapassados, estão algumas áreas conhecidas como “guetos organizacionais“.

Estes “guetos” falam “línguas” diferentes, tem “crenças” diferentes, defendem ações diferentes, vivem rotinas diferentes e enxergam somente pela perspectiva que os convém. São órgãos isolados em um organismo vivo. São eternos mantenedores da instituída Torre de Babel.

Mas tem jeito…

Se na Torre de Babel o homem se desorganizou e dispersou através da diferença da língua, é no falar de várias línguas que ele se reúne novamente, como narra nos Atos dos Apóstolos em Pentecostes (ainda explorando citações bíblicas). Mas qual a diferença?

Sem querer me apegar a questões religiosas, a diferença está no elemento comum envolvido nas línguas de Pentecostes: o amor. A amor, assim como a simplicidade, a valorização da pessoa sobre processos, o estar preparado para mudanças ao invés de seguir um plano, software funcionando ao invés de documentação extensa, são valores que fundamentam as ações. Logo, não importa que língua você fale, desde que entenda e busque os mesmos valores em conjunto.

O egoísmo derrubou a torre de babel. Em gestão de projetos, ou em qualquer outra gestão, é a defesa de valores que irá destituir os guetos e criar sinergia entre áreas. Nada menos que isso resolve!

Veja também:
http://projeto001.blogspot.com/2009/10/cultura-como-sabedoria-organizacional.html

Transcenda!!
Buzon

About the author: Rafael Buzon

Sou desses que quer mudar o mundo e estou procurando e experimentando muito de várias teorias e práticas. Acesse meu site em http://rafaelbuzon.com

6 comments

  1. Leonardo Campos

    Outro grande post, Buzon.

    Uma primeira coisa que me lembrei logo no começo quando você cita

    “O que poucos sabem, entretanto, é que esta intervenção divina aconteceu também na construção de software, que até hoje nos faz buscar o entendimento mútuo para realizar coisas até menos pretensiosas que uma torre, como lançar um site.”

    é se a construção de um software é de fato menos pretensiosa. Em lugares que trabalhei, sempre exisitia alguma grande obra, como um edifício, um túnel sob a Faria Lima etc e ao mesmo tempo sempre havia a piadinha de que a obra ficaria pronta antes do projeto X. Invariavelmente estas piadinhas se tornaram realidade :”(

    Outro ponto:
    “A amor, assim como a simplicidade, a valorização da pessoa sobre processos, o estar preparado para mudanças ao invés de seguir um plano, software funcionando ao invés de documentação extensa, são valores que fundamentam as ações. Logo, não importa que língua você fale, desde que entenda e busque os mesmos valores em conjunto.”
    Obviamente estou de acordo como a valorização das pessoas sobre os processos. Em uma visão Lean, isto não se dá deixando que as pessoas façam o que em entendam, como muita gente imagina. O que a visão Lean prega, é que se crie um sistema, e este possibilite que as pessoas façam seu melhor e isso é que representa respeito com elas.

    Posted on agosto 5, 2012
    • Eric Fer

      Sou obrigado a concordar com você, Leo. Apesar das diferentes dimensões de investimento, equipamento e mão de obra envolvidos entre construção civil (essa de muito maior proporção em todos os aspectos) e ‘construção’ de software, a inabilidade dessa última torna qualquer projeto da área, muito pretencioso. Infelizmente.

      Sobre seu outro ponto. Ficou um pouco confuso:

      “Em uma visão Lean, isto não se dá deixando que as pessoas façam o que em entendam, como muita gente imagina. O que a visão Lean prega, é que se crie um sistema, e este possibilite que as pessoas façam seu melhor e isso é que representa respeito com elas.”

      Você fala que Lean não é as pessoas fazerem o que entendem, mas depois vc fala de criar um sistema. Que sistema? sistema de processo? de suporte a alguma coisa? ou seria o sistema final para o cliente?
      E ainda, parafraseando você escreve “possibilitar as pessoas fazerem seu melhor e isso é respeito”. Porque você mencionou respeito? Pareceu defender alguma ideia que estaria no texto relacionado a respeito.

      É isso aí.
      Grande abraço

      Posted on agosto 6, 2012
  2. Rafael Buzon

    Vlw Leo. Obrigado pela contribuição…
    Você tem visto o conceito de Holocracia? Precisamos estudar mais sobre isso, que tem tudo haver com tribalismo, suboptimization, escalar o agile [porque não o kanban], enfim, gestão de mudanças e, melhor, mudanças culturais.

    Posted on agosto 5, 2012
  3. Leonardo Campos

    Dá uma olhada no meu dropbox, em um diretório chamado “articles”. Tem um artigo lá sobre holocracia 😉

    Posted on agosto 6, 2012
  4. Leonardo Campos

    Eric, faltou um “b” no “em entendam”. Ou seja, valorizar as pessoas não significa deixar que façam o que quiserem.

    Quanto ao sistema, este é o conjunto de pessoas, ferramentas e processos que determinam como as coisas são feitas.

    Em relação a respeito, estou falando em relação a valorizar as pessoas.

    Putz, devo ter escrito mal d+ 😉

    Posted on agosto 6, 2012
    • Rafael Buzon

      Léo, vc não acredita que o “fazer o que quiserem” não é outro daqueles mind sets equivocados, como aquele de associar o PMBoK ao cascata? Pelo menos no Brasil nunca ouvi que fosse tão anarquista assim. O que acha?

      Posted on agosto 9, 2012

Leave your reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Go to top