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De desenvolvedor a Scrum Master

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Em meados de 2008 fui convidado a trabalhar em uma empresa que estava implementando o framework Scrum. A ideia era ajudar a melhorar a velocidade de entrega no processo de desenvolvimento de software.

Naquela época não tinha a menor ideia do que era desenvolvimento ágil de software e muito menos o que era Scrum. Como a maioria dos desenvolvedores, com dúvida, fui atrás de informações no Google e me deparei com uma corrente de informações vindas de diversas empresas. A maior parte delas eram Startups que falavam sobre a inovação na gestão de desenvolvimento de software.

Após pesquisas iniciais, resolvi participar de treinamentos e passei a entender um pouco mais o assunto, inicialmente com foco no Scrum. Logo, uma figura me chamou atenção: o Scrum Master (SM).

Despertando o interesse no novo desafio

Nesta época a empresa tinha cerca de cinco ou seis times rodando Scrum, todos geridos pelos seus Scrum Monsters, apelido carinhoso que era dado pelos times mediante a ótima atuação dos SMs.

Ao vivenciar o processo, passei a apreciar o trabalho de liderança que eles desenvolviam junto a suas equipes. Os Scrum Masters balanceavam as forças entre os membros do time de um maneira sutil, pois não eram os chefes dos desenvolvedores e muito menos dos POs (Product Owners). Na prática, eram membros do time como os outros.

Como todo iniciante em um time Scrum comecei a imaginar que a sigla SM tinha um significado muito maior. Já que a carreira de desenvolvedor não me satisfazia mais, coisas do tipo, “Esse cara pode tudo!”, “Ele é um Super Man!”, fizeram com que eu me interessasse pela área de Gestão de Projetos.

Passei a estudar as metodologias ágeis mais a fundo e a participar de workshops para me tornar um lendário Scrum Master.

Primeiros desafios na nova posição

No final de 2011 fui convidado a ser Scrum Master de um time que desenvolveria uma aplicação Web. Eu gostaria de dizer que foi tudo perfeito, mas a verdade é que a transição foi bem difícil. Como desenvolvedor eu era muito seguro, já que eu tinha adquirido o conhecimento ao longo de anos na profissão.

Já no papel de Scrum Master tudo era novo. Para um cara técnico, eu estava apreensivo. Os desafios eram equalizar as expectativas do PO e dos desenvolvedores, remover os impedimentos, conduzir as cerimônias e, o mais importante, liderar a equipe para obter sua confiança.

O primeiro erro foi usar o meu conhecimento técnico e procurar a solução dos meus problemas no Google. Digitei “como conquistar confiança”, mas não encontrei nada útil em meio a uma infinidade de artigos. Você sabe por quê? Simples. Diferente das máquinas e sistemas que eu estava acostumado a lidar e, na maioria das vezes, obter o resultado esperado, o ser humano não é uma máquina binária.

Não existe uma receita de bolo para ganhar a confiança alheia ou para obter a liderança de um grupo. Este é um processo gradativo, em que suas atitudes contam muito mais do que seus discursos e sua postura frente aos problemas será o seu carro chefe. Dedicação, justiça e a valorização dos colegas devem estar embutidas em suas ações diárias e isso não se ensina em nenhuma escola, você só consegue aprender no dia a dia dos seus projetos.

Mas eu imagino que você deve estar se perguntando: e o conhecimento técnico não ajudou em nada? Claro que ajudou. Hoje eu vejo que a carreira técnica me trouxe muita bagagem, facilitou o meu trabalho como Scrum Master, deixando-me mais completo, também facilitou a comunicação com o time e as áreas técnicas envolvidas no processo.

Algumas dicas para sua transição

Se você é desenvolvedor e deseja se tornar um Scrum Master deixo as seguintes dicas:

  • Deixe a mente aberta para adotar novas formas de pensar e lidar com problemas.
  • Foco é muito importante. Não tente ficar entre sou um programador que faz gestão ou sou um gestor que sabe programar, pois, com certeza, você não fará bem nem uma coisa nem a outra.
  • Entenda que o mundo não é uma redoma binária, pelo menos para a atividade de Scrum Master. Dedique-se ao time, converse mais, envolva-se com as demais áreas do projeto, pare para escutar e tente entender as pessoas. O resultado é importante, mas lembre-se de que você tem um time e seu trabalho é ajudá-los a chegar a esse resultado de maneira construtiva.

Por fim, estude. Mas além de estudar, teste os conceitos, porque neste ponto da sua carreira apenas saber a teoria não será suficiente. Tenha coragem para testar suas ideias e encare cada desafio como uma oportunidade para crescer e se tornar um profissional melhor.

2 comments

  1. Bruna

    Ótimo texto. Com certeza vai inspirar as pessoas que desejam experimentar novos papéis, abraçar outros desafios ou melhorar seu papel dentro de um time.

    Posted on julho 9, 2014
  2. Rodrigo Fonte

    Muito legal o post ! Motivador, deu até saudade dos tempos de estag.

    Posted on julho 9, 2014

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