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Cachorro com muitos donos: Vive Feliz!

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Se me permitem, gostaria de fazer uma releitura, à luz do trabalho em equipe, daquele conhecido jargão: “Cachorro com muitos donos: Morre de fome!”. Apesar de haver muita verdade nessa frase, para se ter equipes de alta performance e qualidade, é necessário que todos abracem a responsabilidade e não haja “corpo mole”.

É sabido das boas práticas de gestão que ter uma pessoa, e somente uma, associada à uma atividade, pendência, issue ou risco, além de uma data bem definida para o deadline, é a melhor abordagem. Criei muitas atas e documentos de riscos nos quais havia, para cada item, 1 pessoa associada e 1 deadline (ou de entrega ou data de controle) para acompanhamento da questão. E realmente eu concordo que é uma forma muito objetiva e clara de se realizar o monitoramento.

Isso acontece porque o ser humano tem a tendência de não se comprometer ou não dar a devida atenção quando fica “nebuloso” de quem é a responsabilidade primária daquele assunto. Definindo 2 pessoas como responsáveis por uma ação, por exemplo, é possível que uma delas acredite que a outra irá resolver ou entender que somente iria acompanhar a questão, porque, de fato, a responsabilidade não era dela. Ou ainda, por não ter o seu nome diretamente exposto como o real responsável, não cria comprometimento e  acaba não sendo priorizado em suas atividades cotidianas. É um erro clássico de comunicação, por assim dizer.

Ou seja, o cachorro morre de forme!!

Temos, portanto, exemplos de  responsabilidade atribuída de forma explícita e direta e outra atribuída de forma implícita ou indireta. E nas duas abordagens há problemas para trabalhos que envolvem mais conhecimento e atividades intelectuais. E vou explicar porque penso assim:

– Quando associamos uma questão ou atividade de forma explícita, ganhamos em comunicação e clareza, mas perdemos em colaboração. A atividade é DAQUELA pessoa e eu não “meto a colher“. Isso diminui a qualidade de certa forma ou a transfere para outro momento, tornando o processo ineficiente.

– Ao passo que quando a atividade é associada de forma indireta, a duas ou mais pessoas, podemos cair no exemplo em que a responsabilidade não é assumida e o comprometimento não é criado. Ou ainda cairmos no mesmo exemplo da atribuição direta, quando a responsabilidade é DAQUELE grupo de pessoas e o outro grupo não “mete a colher“.

O motivador deste post foi conhecer aquela prática XP, para desenvolvimento de software, que prega a propriedade coletiva do código. Nela, a responsabilidade do trabalho é coletiva, todos são habilitados e recomendados a melhorar um código no qual esteja trabalhando, mesmo que não seja dele. Todos se envolvem com o código de todos, com o trabalho de todos, e todos ganham com isso. A qualidade é potencializada e o acabamento mais preciso e menos suscetível a falhas. É importante, sempre, conhecer a natureza daquilo que você se propõe a gerir e usar novos conceitos e paradigmas.

Nesta filosofia não são criados meios e práticas para se ganhar o comprometimento, mas é incentivado o engajamento das pessoas na construção de algo comum, juntas! É mudança de cultura!

Assim, cachorro com muitos donos: Vive Feliz! (Será?)

Deixe seu comentário se acha que é possível o cachorro viver feliz (ou pode ser que o cachorro engorde e exploda também, de tanta comida 🙂 )


Referências:
http://www.slideshare.net/akitaonrails/encontro-locaweb-1287367
http://www.dtsato.com/blog/2007/05/10/propriedade-coletiva-do-conhecimento/
http://www.martinfowler.com/bliki/CodeOwnership.html

Abraços,
Buzon

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