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Leituras Ágeis – Melhorando o conhecimento sobre Agile

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Trabalho como ScrumMaster em uma grande empresa de comunicação.
Nosso departamento de Pesquisa & Desenvolvimento tem um programa para a criação de, entre outros, uma plataforma de gerenciamento de conteúdo (CMS) capaz de atender as mais diversas demandas das redações. Temos 7 times utilizando Scrum compondo uma grande equipe de aproximadamente 45 pessoas.

Dado este cenário, uma preocupação que costumo ter é a de como melhorar o conhecimento de todos da equipe (incluindo o meu próprio) sobre metodologias e ferramentas Ágeis.

Recentemente nós, os ScrumMasters desta equipe, decidimos adotar uma prática que tem rendido bons resultados, inclusive gerando melhorias nos nossos processos: uma reunião de uma hora, duas vezes por semana, em que lemos e discutimos um livro sobre algum assunto Ágil previamente selecionado – chamamos este encontro de “Leituras Ágeis – Tertúlias”.
Começamos os encontros com a leitura do livro do Henrik Kniberg – Scrum e XP direto das trincheiras – pois era um livro excelente, apesar de bastante simples e que todos já haviam lido. Ele serviria como bom guia para cobrirmos pelo menos a maior parte das práticas do Scrum (este livro em particular cobre muito bem as práticas, mas é declaradamente superficial em relação a teorias, princípios e valores).

É interessante que todos tenham lido o livro, ou pelo menos os capítulos previamente combinados. Para este primeiro livro, não foi necessário fazer anotações, pois uma leitura rápida na hora já foi o suficiente para gerar as discussões, que é justamente o que tem gerado mais resultados. Tenho certeza de que o próximo livro que pretendemos ler vai exigir mais de nós (em outro post eu comento qual livro selecionamos).Quando chegamos a algum ponto em que alguém tem algum comentário a fazer, interrompemos a leitura do livro para que a discussão aconteça. Normalmente tentamos chegar a um consenso sobre se o que o livro prega é o ideal, depois se é melhor do que nossa prática atual e por que, por fim decidimos se vale a pena mudar nossas práticas atuais (com ações e responsáveis).

Este encontro tem suas regras:

  1. Deve acontecer sempre (mesmo que faltem alguns participantes)
    O objetivo dessa regra é gerar ritmo. Logo que começamos, éramos apenas dois participantes, eu e outro Scrum Master. Como éramos só dois, a falta de um invalidava o encontro, mas conforme mais participantes foram se juntando, foi possível criar o ritmo necessário. Havendo pelo menos 2 participantes, deve-se realizar o encontro.
  2. Timebox
    Mantenha a reunião dentro do período determinado. Fazemos de uma hora, mas decida a melhor duração e atenha-se a ela (até todos decidirem mudar)
  3. Deve ser incentivada a presença de representantes de todos os papéis do Scrum
    Hoje temos alguns Desenvolvedores, Scrum Masters e Product Owners. Ainda não há nenhum gerente, mas também seria extremamente positivo. Como cada um vê melhor os impactos sobre sua própria área de atuação, as discussões são mais ricas e as decisões tomadas são mais facilmente implementadas.
  4. Deve ser incentivado o confronto de idéias. Veja o artigo “Managing Confrontation in Multicultural Teams
    Realmente recomendo a leitura do artigo acima, mas caso você esteja sem paciência ou não saiba inglês, o resumo é mais ou menos o seguinte: O confronto de idéias traz novos conhecimentos para todos os participantes da discussão. Há algumas culturas em que isto é difícil, pois é considerado rude ou simples má-educação. Se for o caso, o artigo recomenda uma prática: cada um levanta suas idéias e passa para um representante que vai defendê-las de forma que não há um confronto direto.
    Uma dica aqui é manter sempre o respeito e não interpretar como “perdi a discussão” e sim “aprendi algo novo”. Por sinal, já perdi, err, quer dizer, aprendi várias coisas novas.
  5. Deve ser feito um registro da discussão, das conclusões e ações determinadas
    O registro mantém o conhecimento gerado, relembra os porquês das decisões e permite o acompanhamento sobre as ações.
    Utilizamos hoje o Confluence para o registro. Inclusive acontecem discussões posteriores nos comentários.
  6. Deve haver um acompanhamento sobre as ações
    Este encontro é uma prática que visa melhorar o conhecimento e alinhar percepções, mas também visa gerar melhorias no processo, então é importante manter um acompanhamento sobre se as ações determinadas estão sendo executadas e se o resultado está sendo o esperado.
Espero a opinião de vocês, inclusive com sugestões e qualquer relato de experiências semelhantes.

About the author: Leonardo Campos

Leonardo Campos trabalha na área de TI desde 2000, atuou boa parte deste tempo como desenvolvedor Java, mas também desenvolveu profissionalmente com Ruby, .NET, VB, PHP e ASP. Desde do começo de 2009 vem atuando com Agile e hoje trabalha na ThoughtWorks Brasil. É estudioso de processos e entusiasta de Lean e Agile, sendo um dos organizadores do Lean Coffee São Paulo e editor da InfoQ. Leonardo é advogado por formação (Universidade Presbiteriana Mackenzie).
LinkedIn
@leonardocampos

5 comments

  1. Leonardo Campos

    Lembraram-me (obrigado Dani) da 7a regra:
    Deve haver um facilitador. A pessoal não precisa ser sempre a mesma, mas alguém deve exercer este papel.

    Posted on abril 10, 2012
  2. Eric Fer

    Parabéns pelo post e pela iniciativa da reunião que você descreveu.
    Tenho participado dessas reuniões e tem sido um momento de aprendizado e troca de ideias que faz a diferença no dia-a-dia.

    Show!!!

    Posted on abril 11, 2012
  3. daniela bertocchi

    Vocês têm meu total apoio. Parabéns pela iniciativa, Leo. Um abraço.

    Posted on abril 12, 2012
  4. Pingback: Lean Coffee – São Paulo | Kudoos

  5. Alex

    Gostei da ideia. Recomendo “A Arte do Desenvolvimento Ágil” oferece uma visão completa do processo ágil, inclusive conselhos diretos sobre planejamento, desenvolvimento, entrega e gerenciamento baseados nos anos de experiência dos autores com Programação Extrema (XP).

    Posted on janeiro 15, 2014

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