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Falhar é humano: Será também uma vantagem competitiva?

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Vantagem competitiva

As empresas querem se destacar e para isso buscam acumular vantagens competitivas em relação aos concorrentes. Durante a evolução do mercado, várias foram consideradas as principais fontes de vantagem competitiva, vamos citar algumas.

Qualidade

Um produto de boa qualidade sempre terá uma vantagem competitiva sobre outro de qualidade inferior. Porém, hoje em dia, especialmente entre os produtos industrializados, a qualidade já está em um patamar bastante alto e equalizado, sendo difícil ganhar muita vantagem nesse terreno.

Preço

O preço também é um fator importante de vantagem competitiva, vemos empresas como o Walmart que se especializaram na busca por preços mais baixos e ganhos em larga escala. Infelizmente, a partir de um certo ponto, há pouco espaço para avançar nesse terreno. Hoje existem, inclusive, inúmeros serviços de excelente qualidade sendo oferecidos por preços módicos ou às vezes até sem custo algum.

Tempo

O artigo “Time — The next source of competitive advantage” lançando em 1988 na Harvard Business Review (HBR) falava do tempo como fonte de vantagem competitiva. O que quer dizer é que a velocidade em se fabricar algo, ou seja, levar algo do conceito ao lançamento rapidamente seria uma outra fonte de vantagem competitiva.

A velocidade de se executar algo torna possível adiar ao máximo a tomada de uma decisão, o que permitiria, por exemplo, que a decisão pudesse estar apoiada sobre a maior quantidade possível de informações. Veja o caso da Dell, que é capaz de em pouquíssimo tempo montar e entregar um computador exatamente como solicitado pelo cliente. Isso reduz custo com armazenagem de peças, aumenta a satisfação do cliente, entre outros benefícios.

Inovação

Parece que a última grande fonte de vantagem competitiva estaria na inovação.
Em um post de seu blog, em que comenta o artigo da HBR, Mike Cohn cita o seguinte:

A inovação tornou-se uma área fértil na qual as empresas buscam obter vantagens competitivas hoje em dia. Essa abordagem serviu bem à Apple nessa última década e não acredito que a inovação vá deixar de ser uma fonte de vantagem competitiva tão cedo.

Vejo que a inovação não está limitada a inovações disruptivas, nem à inovações no produto. As inovações podem também ser no processo, no modelo de negócio e muitos outros. Essas inovações podem gerar vantagens competitivas de outros tipos, como queda no preço, ganho de tempo ou de qualidade.

Tolerância a falhas

Se o que se busca é inovação, um ambiente “fail safe“, ou seja, em que falhar é ok, é fundamental. Queremos que coisas novas possam ser experimentadas e isso inevitavelmente resultará em erros.

Assim, punir, mesmo que apenas verbalmente, quem eventualmente falha faz com que as pessoas sejam menos propensas à experimentação, ao mesmo tempo em que tende a reduzir o ambiente de transparência, tão desejável para a melhoria contínua que se apoia sobre Inspeção e Adaptação.

Novamente, vale frisar que quando falamos em inovação, estamos não só falando em produtos inovadores, mas também em processos inovadores. Também não estamos falando apenas em inovações disruptivas, mas inclusive das evolutivas, que somadas ao longo do tempo parecem ter levado a uma revolução, mas olhadas individualmente, parecem apenas pequenas melhorias.

Repetição de erros

Aceitar falhas de todo coração não significa que as desejamos. Significa apenas que sabemos que elas são o custo necessário do aprendizado que buscamos. Não queremos é a repetição de erros, pois é preciso justamente aprender com eles e criar mecanismos para evitá-los.

Em seus livros “Lean Software Development” e “Implementing Lean Software Development from Concept to Cash”, Mary Poppendieck aponta o reaprendizado como um dos tipos de desperdício no desenvolvimento de software. Se não aprendermos com as falhas significa que obtivemos apenas o custo da equação, sem receber o benefício.

Meu intuito aqui foi frisar a importância da tolerância a falhas como um primeiro passo na direção de se criar um ambiente de inovação. É claro que isso está longe de ser suficiente. É preciso criar mecanismos para dar ouvido a todos, criar canais para a resolução de problemas, empoderar as equipes, manter algum “slack” (ou respiro) no processo, testar hipóteses e aprender com elas.

About the author: Leonardo Campos

Leonardo Campos trabalha na área de TI desde 2000, atuou boa parte deste tempo como desenvolvedor Java, mas também desenvolveu profissionalmente com Ruby, .NET, VB, PHP e ASP. Desde do começo de 2009 vem atuando com Agile e hoje trabalha na ThoughtWorks Brasil. É estudioso de processos e entusiasta de Lean e Agile, sendo um dos organizadores do Lean Coffee São Paulo e editor da InfoQ. Leonardo é advogado por formação (Universidade Presbiteriana Mackenzie).
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@leonardocampos

1 comment

  1. Pingback: Tolerância Zero: Uma abordagem para a qualidade | Kudoos

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