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Como falhar miseravelmente ao adotar o Agile

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Na literatura existem diversos artigos no formato “Como fazer X” ou “Como implantar Y”. Para este artigo adotei uma abordagem diferente: Quero compartilhar experiências pessoais para mostrar o que fazer caso você queira falhar miseravelmente (o adjetivo é necessário para fins de dramatização 🙂 ) na adoção de um ambiente ágil em sua empresa.

Vou partir do princípio que você já sabe o que quero dizer por “ambiente ágil”. Se você pensou “Claro que sei! Estamos falando de Scrum e Kanban, certo?” Bem, você acaba de ilustrar o primeiro item dessa lista:

Para falhar miseravelmente, siga os passos abaixo:

Encare como PROCESSO, não como CULTURA

O Agile é forma de pensar. Adotar um timebox de duas semanas, ter um quadro branco cheio de post-its ou fazer algumas reuniões e chamá-las de cerimônias não fazem de você ágil.

Se preocupar com o COMO ao invés do POR QUE é o primeiro passo em direção ao abismo. É comum nesses ambientes afirmações do tipo “Estimem em story points” e “Usem Scrum, não Kanban” ao invés de “Entendam sua capacidade” e “Utilizem um framework focado em entregar valor e melhorar continuamente”.

Como falhar: Você deve interpretar o manifesto e os doze princípios ágeis à sua maneira e assumir que é a maneira correta, sem dar ouvidos às partes interessadas. O que nos leva ao segundo ponto para um bem sucedido fracasso:

Entenda que você tem UM CLIENTE. Ou CLIENTE NENHUM!

O Agile vem para resolver problemas existentes no modelo de gestão tradicional para ambientes complexos e várias são as partes envolvidas nesse processo.

Um agente de mudança tem pelo menos (não restrito a) dois grandes clientes: Pessoas que usam os processos no dia a dia e pessoas que acompanham o resultado (a.k.a: times e gestão). Seus clientes têm interesses diferentes no processo e muitas vezes até antagônicos.

Como falhar: Preocupar-se apenas com o bem estar dos times e esquecer que a gestão precisa de informações importantes para se sentir segura com o processo ou se preocupar apenas com o que a gestão precisa e onerar os times com processos cada vez mais custosos  apenas para gerar relatórios sem valor é a receita para falhar… Miseravelmente.

Crie um processo COMPLETO para só depois tirar o que NÃO FAZ SENTIDO.

Vamos criar o processo mais completo possível amarrando todas as pontas, assim garantimos que nossos times gastem seu tempo com burocracias que não trazem nenhum valor ao invés de com valor para o cliente final. E de quebra distorcemos o principio de simplicidade para “A arte de maximizar a quantidade de trabalho feito” ao invés de “A arte de maximizar a quantidade de trabalho que não precisou ser feito”.

Como falhar: Sempre se perguntar “Por que não?”. “Por que não pedir aos times para duplicar essas informações?” ou “Por que não tornarmos essa fase do processo obrigatória?”. E por falar nisso…

Torne seu processo IGUAL e OBRIGATÓRIO para todos.

Vamos considerar outro problema complexo: Criar um filho. Vocês acreditam que exista apenas uma maneira, aquela, a única, a “diferentona”, a que ninguém pensou antes, que faça você criar um filho da melhor maneira possível? Não?! Então por que insistimos em acreditar em frameworks “bala de prata”?

Como falhar: Parta do pressuposto que seus times não são “maduros o suficiente” para acharem a melhor maneira de atender as restrições de sua empresa. Estabeleça um processo único e faça com que as pessoas obrigatoriamente se adaptem a ele.

Conclusão

Existem muitas outras maneiras de se falhar ao tentar tornar seu ambiente ágil, estes são apenas alguns.

Se seu intuito não é a falha, então é simples: Faça exatamente o oposto do que foi mencionado aqui. E lembre-se que ainda não é suficiente. Você deve a todo momento verificar se essas hipóteses ainda são válidas e mudá-las, caso necessário.

Mas isso não é problema pra nós: Somos ágeis… 😉

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