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As histórias e requisitos limitam pensar "fora da caixa"?

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Sabemos hoje que realizar um planejamento completo e detalhado do projeto antes de efetivamente realizar alguma coisa, é perda de tempo [não veja este link]

Hoje buscamos compreender melhor o que gera valor ao cliente, antes de sair escrevendo e detalhando como iremos fazer a coisa errada.

No Scrum, por exemplo, buscamos realizar o planejamento do que será feito [e como será feito] o mais tarde possível e de forma iterativa, a fim de que seja possível ter e vivenciar uma maior quantidade de cenários, que irão retroalimentar os novos planejamentos.

E o que direciona o planejamento de um sprint, no Scrum, é a Meta.

A Meta retrata um objetivo claro e busca trazer propósito ao Sprint a fim de motivar e fundamentar o time possibilitando-o tomar micro-decisões diárias em prol do alcance da meta. A meta é a coisa mais importante no sprint e pela qual o time emprega seu tempo e conhecimento diariamete. A meta é mais importante que o plano feito para atingi-la.

Munido de uma meta nobre, clara e desafiadora, o time busca então planejar o sprint [na cerimônia de Planning] transcrevendo a meta em itens menores, concretos e factíveis. Em algumas práticas damos o nome de história a este item que representa uma unidade valorosa, independente, testável, factível e pequena.

As histórias representam um planejamento mais “leve” do quê será feito, mas que não deixa de ser um planejamento preliminar. E aqui chegamos ao ponto que quero questionar: Estariam as histórias, por serem definidas, criadas e detalhadas no início do sprint, tendo o mesmo efeito daquele antigo plano de projeto fixo que limita possíveis ações “fora da caixa”?


Recentemente presenciamos uma epifania interessante em um dos sprints de um projeto: Após o planejamento ser feito e o sprint iniciado, o time encontrou uma maneira mais simples, rápida e eficaz para atingir a meta proposta, sem, contudo, realizar todas as histórias planejadas para atingi-la. O que me levou a pensar: porventura não estaríamos em todos os demais sprints, muito condicionados à realização das histórias planejadas que deixamos de pensar “fora da caixa” em busca de soluções mais simples e completas? Quanto tempo e dinheiro poderíamos ter poupado, olhando mais a meta que as histórias? De fato, não é a meta a coisa mais importante a ser feita?

E você? O que acha? Também acredita que as histórias podem limitar ações excepcionais, inovadoras que contribuem para realizar a meta de maneira mais rápida e menos custosa? Como estimular o pensamento “fora da caixa” neste caso?

 

About the author: Rafael Buzon

Sou desses que quer mudar o mundo e estou procurando e experimentando muito de várias teorias e práticas. Acesse meu site em http://rafaelbuzon.com

2 comments

  1. Anonymous

    “(..) Após o planejamento ser feito e o sprint iniciado, o time encontrou uma maneira mais simples, rápida e eficaz para atingir a meta proposta, sem, contudo, realizar todas as histórias planejadas para atingi-la (…)”

    Analisando o trecho acima podemos talvez inferir que possivelmente o time de desenvolvimento não tenha participado ativamente na definição das histórias. Elas (as histórias) bem possivelmente vieram “prontas” de algum lugar do planeta dos POs e coube ao tima apenas pontua-las para que estas fossem “encaixadas” no timeframe do sprint.

    Talvez em nenhum momento o PO tenha se atentado a coletar o feedback do time de desenvolvimento para a elaboração das histórias e metas do sprint. Culpa do time? De jeito nenhum! Talvez apenas a maneira como as pessoas encarem o papel do PO em um projeto…

    Posted on julho 18, 2012
  2. Rafael Buzon

    Oi, obrigado por seu comentário.

    Muitas vezes acontece, realmente, do PO trazer as histórias prontas e não consultar o time, cabendo ao time somente analisar e pontuar. Apesar que eu defendo a ideia de um time mais ativo e crítico a ponto de questionar tudo contra os objetivos esperados, não aceitando tudo simplesmente.

    Em alguns casos que eu vivencio, entretanto, o PO não é tão ativo e consulta o time para tudo, escrevendo as histórias com ele. A meta por vezes é criada e compartihada com o time que entende e aceita como coerente, factível e sensata.

    Em ambos os casos é sempre possível se descobrir maneiras mais simples de se realizar as coisas e formas não estressadas (tanto pelo PO quanto pelo time) sobre como atingir a meta do sprint (quanto a meta existe, claro, pois tem muitos times não usando a meta do sprint).

    Insights, novas tecnologias, novos frameworks, tudo pode contribuir, no meio de um sprint iniciado, com que ele termine de forma precoce e com sucesso. No meu caso, o time estimou um módulo de autenticação pensando em uma determinada tecnologia, mas conheceu, com outros profissionais, um jeito novo e simples de se fazer.

    Isso ainda pode ser mais recorrente em sprints maiores, de 3 ou 4 semanas.

    Posted on julho 18, 2012

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