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3 equívocos sobre Agile que ainda estão entre nós

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Neste mês de fevereiro de 2016 a comunidade ágil comemora 15 anos do nascimento de seu Manifesto. Motivos para comemorar? Sim! Pois apesar de defender que o Agile não é a única alternativa ao desenvolvimento de software ou à gestão do trabalho (isoladamente nenhuma filosofia é) eu acredito que a filosofia desbravou e inaugurou uma nova era numa nova forma de pensar, estabelecendo, no mínimo, uma linha base para o que seria discutido a seguir.

Contudo, quinze anos depois, ainda nos deparamos com equívocos básicos, porém fundamentais, em muita gente que se diz agilista. Veja, à seguir, três grandes equívocos sobre Agile que, acredito, ainda estão entre nós:

Tudo que é bom é Agile

Recentemente escrevi no meu blog pessoal sobre a banalização do termo Agile no qual discuto o que pode ser chamado de Agile e como ainda existe entre nós uma ideia dogmática de que tudo o que há de bom na face da terra entra para o time batizado de Agile.

Veja também: Será que o Agile virou um dogma

Se estou conversando melhor com meus pares, sou ágil. Se consegui simplificar uma ideia, sou “agilista”. Quando fiz uma coisa bem rápido, estou “agilizando”. Quando aprendo uma nova forma de fazer a mesma coisa, sou um f*ck*ng-agile-master. Existem, até mesmo, interpretações de Agile para engenharia civil, por exemplo, que, na minha opinião, por não serem de natureza complexa, nunca poderiam ser chamados de ágeis. (Mas, claro, esta é a minha opinião. Se você é ágil vai me entender né?) 😉

Pesquisei num mecanismo de buscas aí e percebi que não estava só. Aliás, encontrei gente falando sobre essa banalização e generalização dogmática do Agile já em 2009. Mas o ponto que quero frisar é que: Não! Nem tudo que é novo e que funciona é Agile, e tudo bem, não precisa ser mesmo! Tem várias coisas boas nascendo por aí que não devem se “encaixar” embaixo de algum dos valores abrangentes do Manifesto.

A critério de curiosidade, para mim, são ágeis aqueles projetos e trabalhos de natureza complexa que estão aderentes ao Manifesto ágil. (veja mais sobre isso neste post)

Creio que aqui também caiba um subitem deste equívoco que seria o Agile como Bala de Prata.

Depois que você se converte ao “agilismo” você tende a acreditar que tudo pode ser resolvido sendo ágil. Esta é uma crença perigosa que pode tornar você mais míope. Aliás, ser Agile nem deveria ser um objetivo em si mesmo, mas sim um dos caminhos possíveis em busca de gerar valor por meio de um modelo adequado ao trabalho do conhecimento. E já temos bons exemplos que apresentam um caminho alternativo à agilidade como #Kanban e #Holacracia que também não podem ser um fim em si mesmos e nem consideramos pacotes prontos e suficientes.

Agile = Scrum

Pergunte para uma pessoa se ela vive ou segue a filosofia ágil e o que você vai ter de resposta é uma variação de: “Sim! Fazemos reuniões diárias de no máximo 15 minutos”; “Sim. Nossas sprints são de duas semanas em algumas equipes”; “Nossa empresa está se transformando em Agile. Já criamos o papel do Product Owner e estamos contratando Scrum Masters” e outras respostas envolvendo reuniões, artefatos e papéis do Scrum.

Não estou criticando o Scrum. Aliás, o Scrum foi o motor de popularização do Agile facilitando a aplicação da filosofia e simplificando o entendimento da então vigente estrutura de gestão de projetos e produtos. Mas o fato foi que o framework de Ken Schwaber e Jeff Sutherland ganhou tanta notoriedade e adesão que hoje tem sido quase que o mesmo que pedir um Danone, quando nos referimos a iogurte ou um BomBril quando queremos uma esponja de aço.

O sucesso do #Scrum se dá pela clara relação dos papéis: o SM é o GP; o PO é o Cliente; e o Dev é quem executa! #sarcasmo #management #agile

Publicado por Rafael Ferreira Buzon em Sexta, 5 de fevereiro de 2016

 

Se por um lado o Scrum ajudou na popularização do ideal ágil, por outro muita gente deixou de estudar, cultivar e exercitar a essência ágil, por entender que o “pacote básico” de Agile já era suficiente. Culpa do Scrum? Não! Culpa das pessoas! Equivaler o Agile ao Scrum é limitar muito as reflexões poderosas que podem transformar seu contexto e o seu trabalho. Não tem problema usar Scrum, mas não se limite a ele dizendo que já se tornou ágil só porque fez uma excelente Review Meeting com o Product Owner.

O Scrum, se você já o pratica, é uma ótima porta de entrada para a agilidade. Com o tempo, você, como agente de mudança na sua organização, pode evoluir para algo adequado ao seu contexto, que pode ainda ser Scrum (com outras práticas associadas); Mais práticas de XP; Técnicas de Kanban; ou qualquer outra práticas emergente e outras que não tenham nome ainda e que você inventou porque achou coerente e trouxe resultados.

E vamos dizer isso novamente para não esquecer: O Agile não deve ser um fim ou um objetivo para sua organização. Fomente, ao invés disso, uma cultura pensante e de reflexão constante. Sem, claro, deixar de aplicar e testar suas ideias.

Scrum = Tudo

Pela lógica, se Tudo que é bom é Agile e Agile = Scrum, logo, Scrum = Tudo que é bom, certo? Pois é… não deveria ser, mas muitos conceitos e técnicas foram associadas ao Scrum, meio que puxados por sua popularidade, como o Planning Poker.

O Planning Poker não consta no Scrum Guide. 😮 O quê?! Não sabia?! Pois é… até na Wikipedia não está muito clara a origem da técnica uma vez que chegam até a dizer que o Planning Poker é também conhecido como Scrum Poker (nunca ouvi “scrum poker“). “Histórias de usuário” é uma prática oriunda do eXtreme Programming, bem como o TDD, a Programação em Par e a Integração Contínua. Fala sério?! E se eu lhe falar que as reuniões de Grooming e técnicas de priorização também não fazem parte do framework Scrum?

Não que estas técnicas sejam “Tudo que é bom” e nem que sejam ruins, mas o fato é que por inércia foram associadas ao modelo mais popular, a.k.a. Scrum, e que bom que foi assim. Este fenômeno mostra que somos capazes de incorporar boas ideias e crescer um framework que é incompleto (como todo framework ágil é). Só creio que poderíamos dar os devidos créditos à origem das ferramentas, trazer outras ao nosso repertório e revisá-las de vez em quando 😉

Esses foram os três equívocos sobre o Agile que mais se destacam pra mim, mas certamente existem muitos outros. E você, já caiu em alguma dessas armadilhas? Quais outros equívocos você vê no seu dia a dia?


 

fonte da imagem: http://www.mailsandforwards.com/

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